Folhas rasgadas, passos dados, vidros quebrados, portas batidas, janelas fechadas, rumos perdidos, vidas passadas, sonhos esquecidos...
Minhas ideias transbordam, sinto o aroma daquele perfume, vejo o sistema e sua forma, quero ser livre e quero agora, ouço milhões de vozes dizendo o que tenho que fazer, mas de verdade para onde devo ir? O que é certo e o que é errado?
Paradigmas que se chocam, ideologias que nascem e o sistema as sufoca.
Entre ideias frias e intactas, o conflito com o sistema é inevitável. Indagações infinitas desassossegam minha alma. Vagas lembranças, eternos momentos, todo suspiro é motivo replicante de tortura, quebra o silêncio, revigorando o medo, antes esquecido, agora ativo novamente, presente tempestade que arrasa com o sonho que se perdeu no tempo, amargos pensamentos não me deixam mais dormir.
Corro de braços abertos, não tenho pressa de chegar no final, mas mesmo assim corro, a liberdade está em não pensar na hora de chegar, mas sentir o vento refrescante batendo em seu rosto, mesmo com um sol escaldante de quarenta graus sobre suas costas. Mas ele vai ficando para trás e o suor trás a sensação de que você ainda está longe de chegar. Para alguns é sinônimo de cansaço, para mim é apenas uma forma de transpirar aquilo que me pesou durante uma vida inteira.
O dia vai embora, se despede com um lindo pôr do sol, as estrelas começam a aparecer uma a uma e a lua gigante farol a iluminar meus passos, é alegria que faz da noite uma aventura ainda maior de se viver, toda sua luminosidade é como se fosse aquele olhar que ainda vive em meus pensamentos.
Sonhos perdidos, mas que ainda continuam aqui, de alguma forma alegrando minha caminhada, incerta e insegura, mas que quebra qualquer barreira existente com o meu pensar, vejo muitas coisas por onde passo, conheço aquilo que até então era desconhecido, aprendo a dominar meus medos, sinto-me mais forte.
Meus passos vão ficando marcados na areia, sim estou a beira mar, lindo e tranquilo refúgio para quem não tem pressa em se tornar um verdadeiro e fracassado oprimido, esquecido por todos. Viajo sem imposição de limites, percorro todo o mundo, procuro estar em sintonia com minha alma, leve e vagante espectro de luz, positividade de coragem e sistematizações.
Cada quilometragem percorrida é sinal de que minha vida se encurta, e mesmo após tanto me esforçar o sono parece ser algo inexistente em mim. Deito sobre as dunas, admirando o céu, procurando me aconchegar na areia fina e macia, é meu colchão de superioridade, onde muitos já tentaram chegar, mas pelo caminho ficaram, atirados, jogados ao mundo sem expectativas nem descobertas.
Quanto a isso sou muito grato à vida, sobre tudo o que me ensinou.
Posso não conseguir dormir para sonhar, mas daqui de onde estou, sonhar acordado é muito mais divertido.

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