sábado, 3 de dezembro de 2011

Ser diferente



Desacomodar-se.
Desintegrar-se dos paradigmas mais profundos.
É olhar para todos os lados com um olhar inocente. É ouvir uma canção e encontrar nela um pouco de si mesmo. É não ter medo de mudar. É dançar sem se preocupar se está no ritmo. Deslizar pelo salão sem receio.
Sem medo de desbravar ruas desconhecidas.
Na cara e na coragem descobrir caminhos.
Sentir novos ventos acariciando a face levemente rosada.
Em cada esquina optar por um novo rumo.
Abandonar a armadura, deixar o escudo, esquecer a espada.
Fazer com que todo movimento se torne um ato simbólico de transformação, diante de um sistema que sempre vai tentar te derrubar, mas você é mais forte.
Sabe se defender, sem precisar atacar, pois a positividade anula o negativo, destruindo pontos até então indestrutíveis, abalando o poder ilusório de quem nada sabe sobre a sua vida.
Criativamente ser diferente. Buscar a autenticidade perdida nos tempos passados. Autenticamente diferente. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Os Sonhos Ainda Vivem em Mim




Folhas rasgadas, passos dados, vidros quebrados, portas batidas, janelas fechadas, rumos perdidos, vidas passadas, sonhos esquecidos...

Minhas ideias transbordam, sinto o aroma daquele perfume, vejo o sistema e sua forma, quero ser livre e quero agora, ouço milhões de vozes dizendo o que tenho que fazer, mas de verdade para onde devo ir? O que é certo e o que é errado?
Paradigmas que se chocam, ideologias que nascem e o sistema as sufoca.
Entre ideias frias e intactas, o conflito com o sistema é inevitável. Indagações infinitas desassossegam minha alma. Vagas lembranças, eternos momentos, todo suspiro é motivo replicante de tortura, quebra o silêncio, revigorando o medo, antes esquecido, agora ativo novamente, presente tempestade que arrasa com o sonho que se perdeu no tempo, amargos pensamentos não me deixam mais dormir. 
Corro de braços abertos, não tenho pressa de chegar no final, mas mesmo assim corro,  a liberdade está em não pensar na hora de chegar, mas sentir o vento refrescante batendo em seu rosto, mesmo com um sol escaldante de quarenta graus sobre suas costas. Mas ele vai ficando para trás e o suor trás a sensação de que você ainda está longe de chegar. Para alguns é sinônimo de cansaço, para mim é apenas uma forma de transpirar aquilo que me pesou durante uma vida inteira. 
O dia vai embora, se despede com um lindo pôr do sol, as estrelas começam a aparecer uma a uma e a lua gigante farol a iluminar meus passos, é alegria que faz da noite uma aventura ainda maior de se viver, toda sua luminosidade é como se fosse aquele olhar que ainda vive em meus pensamentos.
Sonhos perdidos, mas que ainda continuam aqui, de alguma forma alegrando minha caminhada, incerta e insegura, mas que quebra qualquer barreira existente com o meu pensar, vejo muitas coisas por onde passo, conheço aquilo que até então era desconhecido, aprendo a dominar meus medos, sinto-me mais forte.
Meus passos vão ficando marcados na areia, sim estou a beira mar, lindo e tranquilo refúgio para quem não tem pressa em se tornar um verdadeiro e fracassado oprimido, esquecido por todos. Viajo sem imposição de limites, percorro todo o mundo, procuro estar em sintonia com minha alma, leve e vagante espectro de luz, positividade de coragem e sistematizações.
Cada quilometragem percorrida é sinal de que minha vida se encurta, e mesmo após tanto me esforçar o sono parece ser algo inexistente em mim. Deito sobre as dunas, admirando o céu, procurando me aconchegar na areia fina e macia, é meu colchão de superioridade, onde muitos já tentaram chegar, mas pelo caminho ficaram, atirados, jogados ao mundo sem expectativas nem descobertas. 
Quanto a isso sou muito grato à vida, sobre tudo o que me ensinou.
Posso não conseguir dormir para sonhar, mas daqui de onde estou, sonhar acordado é muito mais divertido.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Somos Quem Podemos Ser



Ainda é dia e as presilhas que estavam ali me impedindo de viver por durante muito tempo continuam soltas, prisão sufocante, passado intolerante, você se sente livre, já não existe solidão e não existe o sofrer. Portas abertas para poder sair, deslumbrante sol, brilha sem economizar raios, lindo céu azul, flores de jardim que fazem do dia uma enorme curtição, aroma de verão, entre as vidas que te perseguem, sabe o jeito certo de se transformar naquilo que permite ser, na loucura certa de quem toma decisões erradas e sem esquecer a razão, se forma com o simples detalhe de uma vida sem perdão, que mesmo em criação é perfeita na escuridão sem deixar para trás o ingrediente exato para que toda fórmula de exatidão real ou não, seja um sonho realizado através do medo e da desilusão que não assustam mais, nos deixando em perfeita sintonia com aquilo que há de bom em sua poderosa forma de criação ao embalo do som do violão, enaltece o viver, acordes sinceros de um grande homem, sábio rei em sua missão.
Nuvens carregadas, chuva anunciada, o céu então fica cinza, ventanias e trovoadas, corre toda passarada, vida longa, noite e dia, gotas d’água, sempre frias, me perseguem pela estrada, lua cheia, iluminada, espanta o medo em minha jornada sempre intensa, inconstante, longa e incerta caminhada à procura do que nos move, cedo ou tarde, nos envolve com a sombra da verdade, diferente realidade sempre linda de viver, mesmo sentindo saudade dos momentos de prazer.
            O ar puro, o ventinho batendo no rosto, as árvores se movendo, pessoas vão e voltam em um constante movimento, vários modelos de carros, alguns novos outros usados, verdadeiras relíquias, igrejas lotadas de fiéis, vendedores na esquina numa competição de gritos onde quem falar mais alto, é quem ganha o cliente, namorados na praça, pais passeando com seus filhos, os estudantes apressados a cumprirem seus horários, o sol a esquentar os rostos brancos, a água da poça da esquina a evaporar como as incertezas do caminho. Não sabemos onde estão, para onde vão nem para onde nos levarão.
            Incertezas que um dia saberei de onde vem me fazendo acreditar no estranho que toca seu piano, enquanto escrevo com palavras soltas, toda história de minha vida, notas solidas de um amanhã bem distante do passado, relembrado em canção e as promessas de quem não sabe ao certo se expressar sobre todo amor que vive em seu coração, escondido e em vão, pois trancafiado nada pode fazer.
            Os ventos anunciantes da tempestade tropical que se aproxima nos fazem correr para o lado oposto, distante de tudo e de todos, mas nos deixando alternativas diversas para encontrar o caminho de volta sem se distanciar demais, do nosso verdadeiro lugar.
            A roda da vida gira, gira e gira insegura e fria, calculadamente. Alguém sem pressa, deitado em uma rede, na varanda, ajustando os ponteiros do relógio, observa a todos os movimentos. Alguns precisos como o gume da faca afiada, outros ensaiados como a mais elegante das marionetes, formidável, imóvel, segue a vontade do seu dono aquele que encostado no muro, e que antes passava por mim sem ser notado, ensaia sua peça, revolucionária, admirável apresentação que agora me desperta dos meus devaneios, dizendo que a vida é linda de viver, acalenta meus sonhos, sobre o travesseiro de algodão, suave e fofinho, verdadeiro aconchego, lugar de tranqüilo pensar, onde encosto minha cabeça sempre para descansar ao final de cada dia estressante de minha vida.
            A cada verso que escrevo sinto minha alma se transformar, continuo a procurar razões e emoções simultâneas para que nada aconteça premeditadamente, pois aquilo que é natural da vida torna tudo mais bonito, quando se consegue mover os pés já pesando toneladas diante de um mundo repleto de indecisões.
            Verde flora, anciã, guardiã de todas as belezas, paisagens e imensidões de felicidades e tristezas, mesmo longe da verdade, mundo louco, agitado, perturbado e às vezes calmo, sem destino ou endereçado, temos todo tempo livre, peças lindas, somos jazo, olhar hipnotizante de um mago, somos quem podemos ser na descoberta de quem lapida a pedra bruta, na sua origem e bom estado, e eu mesmo mudando de formato tenho a certeza que vou para sempre reviver em teus pensamentos na explanação de suas idéias, na imensidão do horizonte, que faz de mim por um minuto ser amado ou odiado, depende de como seus olhos irão me enxergar quando eu chegar próximo do fim.

sábado, 1 de outubro de 2011

Luz, Câmera e Ação!


Chega a ser surreal, você desequilibra minha paz com suas idéias loucas. Tenho saudade do tempo que tínhamos um papo normal, de pessoas ditas comuns. Os diálogos de hoje chegam a ser superficiais, ensaiamos escritas, ensaiamos falas, ensaiamos viver.
As nossas ideais são o que nos alimentam. A vida lá fora já não é mais a mesma, mas ainda temos tempo. Vejo tudo de outra forma, vejo tudo de outro jeito, nada é verdadeiro, tudo é surreal, um verdadeiro faz de conta onde as pessoas brincam de viver, ensaiam suas cenas e colocam em prática aquilo que querem que aconteça de forma errônea, pois o verdadeiro roteiro ficou esquecido, dentro daquele velho baú, jogado no sótão, onde nem os ratos visitam mais, pois já não há o que explorar. Coberto de pó e teias de aranhas o vazio toma conta daquilo que deveria ser a verdadeira história, que esquecida é mais uma vida jogada ao vento, silenciada e mórbida, sem utilidade alguma. Poderíamos resgatar o que de bom ainda resta, mas isso já não seria o que de fato mudaria o sentido de tudo que aconteceste até agora, pois um filme baseado em fatos reais exige muito mais do que isso, exige que sejamos os mais verdadeiros possíveis e que as energias sejam responsáveis por uma onda de certezas que fazem o diferencial quando tudo parece estar perdido.
Bons tempos quando ainda tínhamos sentimento em tudo o que fazíamos, éramos amigos, éramos irmãos, uma união corrompida por nós mesmos, pela falta de comprometimento em nunca fazer algo que nos faça bem sem que isso interfira na liberdade do outro, o orgulho foi maior e o medo de viver uma vida surreal para sempre ainda existe e faz com que o eu ainda acredite naquilo que faz parte de mim, não como em um filme, não como em uma novela, mas como a vida que acontece agora e não exige ensaios, sem dever nada ao diretor, nem se preocupar com maquiagem, deixaremos o vento nos levar, pois onde estivermos será o nosso lugar, tudo como deve ser.
A vida da gente vai sendo feita pela gente. Aprendemos a brincar com o vento que nossos cabelos embaraçam.  A chuva que chega como um alento à alma em demasiado cansada. A gente, simplesmente gente, somos tão surreais que até as formigas nos observam: os gigantes que correm, gritam, vibram, choram, pulam, pensam e amam, amam esse espetáculo surreal de viver e deixar as marcas dos seu pés onde estes pisaram.