
Ainda é dia e as presilhas que estavam ali me impedindo de viver por durante muito tempo continuam soltas, prisão sufocante, passado intolerante, você se sente livre, já não existe solidão e não existe o sofrer. Portas abertas para poder sair, deslumbrante sol, brilha sem economizar raios, lindo céu azul, flores de jardim que fazem do dia uma enorme curtição, aroma de verão, entre as vidas que te perseguem, sabe o jeito certo de se transformar naquilo que permite ser, na loucura certa de quem toma decisões erradas e sem esquecer a razão, se forma com o simples detalhe de uma vida sem perdão, que mesmo em criação é perfeita na escuridão sem deixar para trás o ingrediente exato para que toda fórmula de exatidão real ou não, seja um sonho realizado através do medo e da desilusão que não assustam mais, nos deixando em perfeita sintonia com aquilo que há de bom em sua poderosa forma de criação ao embalo do som do violão, enaltece o viver, acordes sinceros de um grande homem, sábio rei em sua missão.
Nuvens carregadas, chuva anunciada, o céu então fica cinza, ventanias e trovoadas, corre toda passarada, vida longa, noite e dia, gotas d’água, sempre frias, me perseguem pela estrada, lua cheia, iluminada, espanta o medo em minha jornada sempre intensa, inconstante, longa e incerta caminhada à procura do que nos move, cedo ou tarde, nos envolve com a sombra da verdade, diferente realidade sempre linda de viver, mesmo sentindo saudade dos momentos de prazer.
O ar puro, o ventinho batendo no rosto, as árvores se movendo, pessoas vão e voltam em um constante movimento, vários modelos de carros, alguns novos outros usados, verdadeiras relíquias, igrejas lotadas de fiéis, vendedores na esquina numa competição de gritos onde quem falar mais alto, é quem ganha o cliente, namorados na praça, pais passeando com seus filhos, os estudantes apressados a cumprirem seus horários, o sol a esquentar os rostos brancos, a água da poça da esquina a evaporar como as incertezas do caminho. Não sabemos onde estão, para onde vão nem para onde nos levarão.
Incertezas que um dia saberei de onde vem me fazendo acreditar no estranho que toca seu piano, enquanto escrevo com palavras soltas, toda história de minha vida, notas solidas de um amanhã bem distante do passado, relembrado em canção e as promessas de quem não sabe ao certo se expressar sobre todo amor que vive em seu coração, escondido e em vão, pois trancafiado nada pode fazer.
Os ventos anunciantes da tempestade tropical que se aproxima nos fazem correr para o lado oposto, distante de tudo e de todos, mas nos deixando alternativas diversas para encontrar o caminho de volta sem se distanciar demais, do nosso verdadeiro lugar.
A roda da vida gira, gira e gira insegura e fria, calculadamente. Alguém sem pressa, deitado em uma rede, na varanda, ajustando os ponteiros do relógio, observa a todos os movimentos. Alguns precisos como o gume da faca afiada, outros ensaiados como a mais elegante das marionetes, formidável, imóvel, segue a vontade do seu dono aquele que encostado no muro, e que antes passava por mim sem ser notado, ensaia sua peça, revolucionária, admirável apresentação que agora me desperta dos meus devaneios, dizendo que a vida é linda de viver, acalenta meus sonhos, sobre o travesseiro de algodão, suave e fofinho, verdadeiro aconchego, lugar de tranqüilo pensar, onde encosto minha cabeça sempre para descansar ao final de cada dia estressante de minha vida.
A cada verso que escrevo sinto minha alma se transformar, continuo a procurar razões e emoções simultâneas para que nada aconteça premeditadamente, pois aquilo que é natural da vida torna tudo mais bonito, quando se consegue mover os pés já pesando toneladas diante de um mundo repleto de indecisões.
Verde flora, anciã, guardiã de todas as belezas, paisagens e imensidões de felicidades e tristezas, mesmo longe da verdade, mundo louco, agitado, perturbado e às vezes calmo, sem destino ou endereçado, temos todo tempo livre, peças lindas, somos jazo, olhar hipnotizante de um mago, somos quem podemos ser na descoberta de quem lapida a pedra bruta, na sua origem e bom estado, e eu mesmo mudando de formato tenho a certeza que vou para sempre reviver em teus pensamentos na explanação de suas idéias, na imensidão do horizonte, que faz de mim por um minuto ser amado ou odiado, depende de como seus olhos irão me enxergar quando eu chegar próximo do fim.